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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ODISSÉIA MARIA – XXX

NEUZA MACHADO




ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



TRIGÉSIMO CANTO



INTERREGNO



mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando, no Século XXI, com Sensacionais Três Vezes Trinta Passos Mortais, a Odisséia Maria Matriarca Brasileira tomará a Poderosa Armadura de seu tetravô greco-romano-português-espanhol da puerta del sol-africano-brasilano-mineiro matreiro-divinense-carangolano das Montanhas do Oiro das Minas Gerais e continuará, acredite!, as Incríveis Aventuras Epo-Ficcionais Transcendentais Sem-Iguais que fizeram a Grandeza dos Patriarcas do Segundo Milênio Guerreiro Horroroso Tenebroso Desditoso Belicoso de Peixes, mas, como eu ia contando... mas... como eu ia contando... ... ...
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando
mas, como eu ia contando




INSUSPEITADA BIOGRAFIA
DE ODISSÉIA MARIA


Filha de Antônio Aquilão, notável Músico-Cantor do Grande Sertão de Minas Gerais, um Lugar Antigão, e de Doña Jane Briseides de Bom Coração do Olimpo Carangolense da Serra da Conceição. Descendente Valente de Bravas Caçadoras de Onços Dourados e de Jaguatiricos Noturnos e Gattos do Matto de Tempos Passados nasceu Odisséia DeMente D`Idéia. Naquele dia, os deuses de Hammurabi Babilônico pronunciaram seu nome e as Divas Três Neo-Magas Guerreiras dos Meados do Século XX, Clotilde, Laísa e Meméia, Astrólogas do Grupo Orador d’Aldeia, olhando a Franzina Menina (no Futuro-Sem-Muro, a Tranvia Odisséia Maria), pré-anunciaram-lhe uma vida replena de Acontecimentos Incríveis, Sem-Fim. Odisséia seria per sempre Guerreira Nomeada, a lutar contra os Papos-de-Vento Opressores Falastrões, mas sempre seria a favor dos Bravos que defendessem a sua Nação, louvando os mesmos com Exaltadas Canções de Prosopopaicos Bordões.

domingo, 6 de dezembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXIX

NEUZA MACHADO



ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO NONO CANTO



mas, como eu ia contando, em São Paulo, nessa Mistura Sem-Igual, Sensacional, todos são Brasileiros, muito prazer Magnata!, torcem com garra pro time do Coríntiãs, ou, então, são todos Sampaulinos doentes, portugueses, brasilanos, japoneses, coreanos, chineses, italianos, noruegueses, venezuelanos, franceses, angolanos e et cœtera, etc, etc e tal, são todos brasileiros nessa mistura saudável com muito prazer!; até mesmo Minas Gerais, tão portuguesa!, agora, recebe e acolhe todas as etnias do Mundo Rotundo, desde o Século XVIII, ou bem antes, semideuses espanhóis e franceses e alemães e ingleses e suíços e libaneses se alojaram em Minas Gerais e disfarçaram seus semens e nomes legais, os estrangeiros foram para Minas Gerais, no passado, se tornaram mineiros altaneiros e esqueceram as origens reais, só Minas conseguiu tamanha façanha, os descendentes dos valerosos antigos franceses e ingleses, hoje, são todos cidadãos mineiros, e os italianos também, e os libaneses também, não há reduto de estrangeiros em Minas Gerais, meu Rapaz!, talvez, quem sabe?, um jovem reduto de japoneses plantando tomates em Minas Gerais, conservando ainda os costumes da origem, porém, com certeza, seus descendentes se tornarão mineiros, falarão com sotaque mineiro, cantarão músicas roceiras quomodo qualquer caipira mineiro, esquecerão os costumes dos japoneses mais velhos, aceitarão os costumes mineiros e et cœtera, e etc e tal, a despeito dos olhinhos reveladores da origem asiática; só Minas conseguiu e consegue e conseguirá tamanha façanha, não há reduto de estrangeiro em Minas Gerais, Minas sempre foi um Estado Federativo fechado do meu Brasil Adorado, quem quiser morar lá, terá de se tornar mineiro, não é semelhante a São Paulo e os Estados do Sul do Brasil, possessões estrangeiras; em Minas, alemão se transforma em mineiro e esquece depressa sua língua de origem; os turcos e libaneses são todos mineiros, não tenho certeza, mas o meu sangue é moureno também; apenas os sobrenomes denunciam a ascendência estrangeira, Minas é um Estado meio medieval, quem quiser morar lá, terá de adotar seus costumes, qualquer cidadão de outros Estados do Brasil Varonil também, também se transforma em mineiro roceiro nas Minas Gerais, os costumes da terra se apoderam depressa daquele que se atreve a morar lá, Minas é um reduto muito fechado, sim Senhor, saiba Você, eu nasci em Minas Gerais e sei muito bem o que digo e afirmo, pois o mineiro, mesmo saindo de Minas Gerais, continua mineiro em qualquer parte do Mundo, seja ele Rotundo ou Profundo; mesmo adotando e amando o Rio de Janeiro, continuo mineira, com muito prazer, relembro com amor o meu Estado de origem, recordo com carinho as bellas tardes fagueiras da minha infância distante, ai!, que saudades que tenho da minha infância querida, debaixo das laranjeiras e mangueiras e goiabeiras e jabuticabeiras, todos os deliciosos frutos existentes em Minas Gerais, do meu saudoso quintal e dos quintais dos vizinhos, ai!, que saudades que tenho, meu Amor!, meu Rapaz!; no entanto, morar em Minas Gerais nunca mais, nunca mais!, Minas é um Reduto Ainda Muito Fechado neste Final do Século XX, demais!; Minas continua adotando os Costumes Antigos, o mineiro, aquele que saiu de Minas Gerais e conheceu a Liberdade de Viver e Amar, jamais voltará para Minas Gerais, se for mulher, então, não voltará, com certeza, a mulher em Minas não tem liberdade, se lutar para ter liberdade, será mal-falada, falarão da mulher com desprezo e rancor, a mulher desobrigada é por lá criticada, a mulher deforçada, de Minas Gerais, compreenderá o aqui manuscrito e depois digitado, os costumes de Minas são patriarcais por demais, a mulher mineira tem de ser recatada, terá de ser retraída, acanhada, não pode jamais conversar com o vizinho, com o marido da vizinha, quero dizer, senão, a vizinha baixará o porrete, vai bater pra valer na vizinha irrequieta, a talzinha ousou conversar com seu marido-galinha, e a mulher liberada não estava fazendo nada de mais, óh coitada!, nem estava interessada no marido da comadre, mesmo assim, ela será afastada da sociedade, será marginalizada e malsinada, porque simplesmente quis ter liberdade, a liberdade de agir sem prestar contas ao Mundo Rotundo; falo com Você, Leitor de Formação Patriarcal, Você que está lendo este Texto Enrolado, mesmo se Você agora afirmar e reafirmar o contrário; nas Minas Gerais, meu Rapaz!, neste Final de Século e de Milênio, eu afirmo e rejuro, não há liberdade para a mulher, não Senhor, meu Amor; mas, atenção!, por favor!, há uma facção de mulher mineira arisca e manhosa, ela sabe fingir com maestria, sabe enganar as velhas fofoqueiras mineiras, se não há liberdade, ela inventa a vida, santamente ela põe chifres no seu marido-galinha, e ai de quem lhe apontar o dedo, acusando-a, ela é pura e é santa, mas faz das suas às escondidas, trama com os compadres no meio da roça e et cœtera e tal; de vez em quando, vão nascendo uns filhos mui diferentes; mas seu caçula, comadre Alqueminda, é muito parecido com o compadre Jovinho, você não acha, comadre, há parecença?; o que é isso, comadre Moirena?, sou esposa fiel!, meus filhos são todos do meu marido Anfitrião Bonitão, compadre Jovinho é só o padrinho de meu caçula Izé, com muito zelo e carinho, o que é isso, comadre?, sou esposa fiel, meus filhos são todos do mesmo pai, não sou a sua filha Matirda, o que é isso, comadre?, está me estranhando?, meu caçula é filho do meu marido Bastião Anfitrião Valentão; mas, como eu ia dizendo, a mulher mineira é muito fiel, até mesmo a mulher da tal facção, quando o compadre se assanha um pouquinho mais, ela diz, compadre, o meu marido evém-já, o meu marido evém-já, compadre Jovinho, cuidado, compadre, o meu marido evém-já, meu compadre Zeuzão; e vai se inclinando pro compadre Zeuzinho, no fim de nove meses nasce mais um Izézinho, e ai de você se notar parecença!; o que é isso, comadre?, lhe bato na cara, meu Izézinho é filho legítimo do meu marido Tirésio Bastião Enfatrião, ele sua na roça de sol a sol, trabalha e trabalha de sol a sol, o Izézinho, quando crescer, vai ajudar o pai na lavoura, labutar na roça e empunhar a enxada, ainda bem, comadre, tenho doze filhos fortudos, todos homens taludos pra ajudar o pai, é bem verdade!, o Nico é bem queimadinho, quase pretinho, e seu pai Tirésio Fatrião é branco alourado de pêlo dourado, o Tirésio, comadre, teve uma avó bem pretinha, o Sinhô Português pegava a escrava de jeito; de vez em quando, nascia na sanzala um quase branquinho, o Tirésio é louro, mas sua avó era escrava, por isso o Tonico é meio queimado, digo, um escurinho bem bonitinho, o Joca, comadre, tem os olhos rasgados quomodo um japonês ou chinês, eu olhei muito, na época da gravidez, pru filho japonês do compadre Hakirô, por isso, comadre, o Joca tem cara de japonês, o que é isto, comadre?, não seja encrenqueira, não fale essas coisas, elas vão me perder, ainda bem e amém, tenho doze filhos fortudos pra ajudar o pai na lavoura, não fale essas coisas infames, minha comadre Assuntinha, o Tirésio é cego, mas é brabo também e vai me matar, se esta história esticar até aos ouvidos dele, cale a boca, comadre, sou mulher fiel; mas, como eu ia dizendo, a comadre boboca, que também faz das suas, volta pra casa amuada, coitada!, não descobriu o segredo bem guardado da comadre Minervinha Alequiméia, mãe de doze filhos hercúleos, cada um de um pai; e o reduto mineiro cada vez mais fechado, se eu estivesse ainda em Minas Gerais, meu Rapaz!, não sei não!, talvez, não teria hoje Liberdade no Mundo, teria caído na boca do povo, uai!, não aceito que me cortem a palavra!, quero sempre o meu cavalo solto no pasto, a liberdade é um bem valioso, não tem preço nem mesmo endereço, a liberdade é um bem conquistado com fervor, teria caído na boca do povo, Senhor, se tivesse ficado em Minas Gerais; talvez amigada com um fazendeiro rico, entre tapas e beijos na hora do amor, e o amante gritando e exigindo obediência, e eu me rebelando, rebelando, rebelando e batendo também, com certeza seria valente, mulher brava e rompante, jamais me submetendo ao terror, e ai do amante mandão com seus freios de amor; ainda bem!, as Parcas Bondosas do Século XX teceram meu loooooongo destino!; na hora do meu nascimento, os deuses de Hammurabi Rei Babilônico e o divino Itabirano Drummond pronunciaram meu nome, vá, Circe Irinéia Odisséia Maria do Novello Amassado, ser torta na vida, e eu rodei para o Rio, na década de sessenta, num avião transportador de cargas mineiras, e o Rio de Janeiro me acolheu com amor, viva o meu Rio de Janeiro!, Doutor!, o meu Rio querido e acolhedor, aqui vivo bem e sou dona de mim, faço o que quero e sou livre e viajo sempre que posso, e leio os meus clássicos e os horóscopos também, o que seria de mim sem os oráculos astrais?, a me empurrar para frente com previsões tão certeiras!, a dividir-me em mil mulheres todos os dias e noites também; pela manhã sou Circe e sou também Irinéia, à tarde me transformo em Diana Guerreira, vou pras mattas do Rio, para pescar e caçar, vou driblando e flertando com os deuses da Floresta Equatorial-Tropical, outras tardes me transformo em Maria Felix Bonita Mexicana de Lara, passo os dias só ouvindo boleros de amor e paixão, passo horas ao lado de meu Amor Agustin, ouço a bella voz do divino Agustin até não poder mais, isto quando não me vejo na pele das chicas cubanas, das chiquitas bacanas do meu Amor Bigodudo, o meu Bienvenido Grandalhão, com sua voz sonorosa, agita e agita o meu coração, os boleros castelhanos invadem meu Casulo de Seda Brilhante, a música vibrante sacode todo o prédio, os vizinhos reclamam do barulho troante e pedem aos gritos para eu abaixar o volume do som; nesses dias de saudade, o meu apartamento se enche de música chorosa, de música chorosa à moda espanhola, e os boleros dramáticos de cabaré mexicano, ou de cabaré cubano de primeira categoria, ou até mesmo de quinta, invadem a paz de uma rua qualquer localizada num Bairro Tradicional do Rio de Janeiro, graças a Deus!, eu moro bem pra caramba!, eu moro bem pra caramba num conjugadinho apertado, e eu não troco meu Casulo de Seda Carioca por nada do Mundo, não quero jamais uma casa luxuosa, tenho pena da proprietária da casa luxuosa, é escrava permanente da casa luxuosa, mesmo se a rica possuir um batalhão de empregadas, será sempre escrava da casa luxuosa; mas, como eu ia dizendo, de vez em quando, também, sou Vájira Diamante Pedra Resistente, e recito mantras da Filosofia Budista Teravada, também da Tibetana, o om-ma-ni-pe-me-rum várias horas seguidas, um bello mantra aprendido com meu Anjo-Guru; por fim, de verdade, sou Católica Romana e creio em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo; com muito fervor!, rezo sempre a Ave-Maria, o Credo e a Salve-Rainha, e peço a Deus Pai muita proteção!, peço sempre aos meus Santos da Igreja Católica que roguem por mim a Deus Altíssimo Nosso Senhor; quem me ensinou esse ecletismo religioso foi compadre meu Quelemém, parente distante de Dante, Camões e João Guimarães, para livrar-me dos males do Mundo, amém!; mas vou sempre consultar o oráculo astrológico, ler horóscopo faz parte da realidade atual, os deuses pagãos permaneceram atuando nos Mapas Astrológicos do Mundo Rotundo, júpiter benevolente, plutão misterioso, vênus sedutora, marte conquistador, mercúrio veloz, urano revolucionário, e tem também netuno dos mares, e saturno ameaçador com sua cara fechada, e tem o sol casado com a lua, um casal vivendo em total desencontro, o sol brilhante trabalhando de dia e a lua infiel farreando de noite, e os astros todos olhando por mim, e os deuses do olimpo de Copacabana e os da floresta dos celtas e os da floresta amazônica, os deuses do Egito e os do Oriente et cœtera etc e tal; mas, à noite, Viajo Contente, vou Desbravando o Encantado País do Silêncio Indomável, à noite, eu me transformo em Odisséia Maria Guerreira, encanto os ouvintes com as Narrativas Mais Bellas, me transformo também em Nise, em Marília, namorando os Poetas de Minas Gerais, e são tantas as mulheres que vivem em mim, e são tantos os rostos nos quais me disfarço, as máscaras cotidianas que ostento e abrigo, e não sei mais quomodo reordenar-me, reunir os pedaços de mim que estão soltos no Espaço Sem-Fim, alguns ficaram perdidos no passado; e eu, agora, Odisséia Maria dos Grandiosos Múltiplos Sonhos Brilhantes Dourados, vou viajando e cantando, às vezes rindo ou chorando, caminhando, caminhando, caminhando, caminhando, caminhando, caminhando em direção ao infinito... ao infinito... ao infinito de mim ...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXVIII

NEUZA MACHADO




ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO OITAVO CANTO



mas, como eu ia contando, 1998 ― o Anno que já é Passado neste Recontar Entrançado ― foi um Anno de Sorte, foi um Anno muito bom para mim, nesse anno passado iniciei esta minha Insólita Viagem, por esses Ares Enfumaçados Nunca Dantes Navegados Por Nenhum Foguete Espacial Epo-Ficcional, tendo por Madrinha Vênus das Grandes Finanças Voláteis em Capricórnio, minha Sortuda Casa do Dinheiro Ansiado Suado; mas que é do Dinheiro que o meu Patrono Saturno Mágico Severo predisse no Orago Diário?, mas quede o Dinheiro, my God?, neste Início de Anno de 1999, estou mais pobre do que o Apaziguado Jó, aquele da Bíblia, cadê?; que é do Milionário Prometido Pelos Astros para depois dos cinqüenta?, cadê?; cadê aquela Paixão Fulminante que o Grande Mago Adivinho das Revistas Esotéricas das Bancas de Jornal do Brasil Varonil me prometeu?, cadê?, naquele 12 de dezembro de 1998, quando Mercúrio retomava a sua viagem direta em Sagitário, e o Marte Rompante e a Lua Brilhante estavam unidinhos felizes namorando em Libra; e Netuno e Urano, tão amigos!, em Aquário; e Plutão Aventureiro em Sagitário, em paz com Mercúrio Veloz; e Santa Luzia dos Legais Cegos Borromeus de Minas Gerais, minha Padroeira Mineira, se preparando para comemorar, na manhã do dia seguinte, seu aniversário, o aniversário dela, quero dizer; se o 1998 foi bom, 1999 será melhor!, assim eles estão a me dizer; em 1999 os Astros me beneficiarão; 1998 foi a preparação para as magníficas incríveis portentosas bellas maravilhosas assombrosas prodigiosas insólitas extraordinárias sensacionais e raras maravilhas pré-anunciadas somente para mim; você entendeu, meu Leitor?, egocêntrica egoísta e solitária, eu sou!; e os outros Sagitarianos do Mundo Rotundo?, não se beneficiarão com as Previsões Astrológicas?; 1998 foi um tiro no escuro, 1999 acertará no alvo, assim eles estão a pré-anunciar, os Sagitarianos Sortudos irão encher a burra, encherão com certeza a burra de Dólares Americanos do Norte e sairão pelo Mundo Rotundo ou Profundo em um Foguete Espacial Epo-Ficcional, ou em um Avião Supersônico Praláde Biônico, ou em Brilhantes Navios de Veraneio Marítimo, ou no Ônibus Velho do Velho Restelo, ou mesmo Diapé com Botas de Oiro, atirando Flechas a torto e a direito, a Centaura Quiromântica das Magias Felizes e os Centauros Quirons das Amorosas Curas Milagrosas Galopando pelo Mundo Afora de Deus dos Cristãos e Hebreus, Livres e Soltos nesse Nosso Grande Mundo Praláde Profundo; Júpiter em Áries vai trazer muito Dinheiro para os Sagitarianos Sortudos e também para mim; não sou egoísta, não Senhor!, neste Início de Anno de 1999, os Outros também terão a sua Fatia no Bolão da Sorte dos Jogos do Grande e Empobrecido Brasil Varonil; para encher a burra de dinheiro, nos dias de hoje, só jogando pra valer no Bolão da Sorte, na Sena e na Tele-Sena, ou então, jogar com fé na Raspadinha de Dinheiro do Estado do Rio de Janeiro, para ganhar o Carrão das Corridas Supersônicas, senão, Seu Adão!, não há Previsão Astrológica que dê jeito não; Júpiter Benéfico Amigo de Fato de uma Sagitariana Sortuda vai trazer-me muita Saúde, Sorte, Otimismo e as Festas de Arromba e os Casos de Amor e as Loooooongas Viagens à Países Exóticos Epo-Ficcionais; Viagens à China dos Imperadores de Olhinhos Rasgados, ao Japão dos Magníficos e Dourados Brilhantes Samurais, à Coréia, ao Indostão, à Grécia, ao Paquistão, à Itália, à Terra do Ão e et cœtera, etc., etc. e tal; mas Saturno Severo e Pouco Romântico em Touro quer cortar meu barato, e não quer a minha Intrépida Viagem para o Exterior do Mundo Vital, ele quer muito trabalho e suor, trabalhe, trabalhe, trabalhe, neste mês de março de 1999, ele estará na minha Casa do Trabalho, sim Senhor!, ocupando a minha Casa Seis, quero dizer, exigindo dinheiro e conforto e muito juízo, e só terei a Sorte Benfazeja de não me indispor com Saturno Severo dos Trabalhos Pesados se trabalhar dobrado, triplicado e et cœtera e tal, e só ganharei dinheiro se trabalhar sem parar e et cœtera e etc e tal; isto acontecerá a partir do dia primeiro de março de 1999, adeus Viagens pelo Exterior Fabuloso!, adeus Jogatinas no Grande Cassino de Mônaco do Bello e Bilhardário Rei Europeu e da Falecida Princesa Atriz Americana, e Especulações nas Bolsas da Cidade Encantada do Rio Maravilhoso realizadas no Plano dos Sonhos Insólitos; adeus Viagens Monumentais Sem-Iguais pela Ponte Rio-Niterói dos Engarrafamentos Colossais, realizadas no Plano da Realidade Concreta em conluio com o Plano da Realidade dos Pensamentos Insólitos Praláde Heróicos, ambos conspirando contra as Dores Reais da Coluna Arruinada do Famigerado e Famoso Mundo Real, apreciando as Belezas da Baía de Lethes dos Cariocas Intrépidos Alegres e Valerosos Carontes Barqueiros, Baía da Guanabara no Rio de Janeiro das Façanhas Heróicas; só viajei para São Gonçalo em 1998, todos os dias, atravessando a Ponte do Destino do Livre-Arbítrio Pós-Moderno, porque Saturno estava em Áries Rompante Menino Valente, minha Casa Astrológica da Alegria e do Prazer, my God!, mon Dieu, óh!, meu Deus Português-Brasileiro!, e Áries é a minha Casa da Sorte, é a minha Casa Cinco, quero dizer; mas quanta bobagem estou aqui a dizer!, digo, estou aqui dizendo bobagens!, trabalhei duro naquele Templo do Incrível Saber dos Ensinamentos Atuais e o Carmelo me pagou uma mixaria de nada, uns trocadinhos de nada!; você está perguntando, aí no Futuro Sem Muro, quem é o Carmelo?; o Carmelo é o Antigo Governador do Estado do Rio de Janeiro, mas foi substituído, recentemente, pelo José Menininho, aquele Crente em Jesus das páginas atrás, aquele Crente em Jesus em quem por ora confiamos e pensamos e pensamos!, ele fará um sincero governo!, pensamos, governará muito bem, amém!; por isto, neste Início de Anno de 1999, eu dedico ao Menininho esta minha Viagem Atilada; para o Carmelo não quero tirar o chapéu, não Senhor!, ele não ligou para os Pobres Professores Sofressores, o salário do Professor do Brasil Varonil atualmente é uma miséria de doer; eu espero uma Grande Mudança no Rio de Janeiro e no Brasil Cor-de-Anil, oh! se espero meu Deus!, tenho muita e muita esperança, o Menininho Jovial valorizará os Professores de Todos os Ensinos, a Classe Mais Desmoralizada do Brasil Varonil!; nem os pivetes da Praça Saens Peña querem roubar o Professor, eles sabem de tudo!, o pobre não tem sequer um tostão furado no bolso do surrado jaleco praláde encardido; não me roube, pivete!, eu sou Professora!, pense no salariozinho pequenininho do Professor!, e o pivete do Brasil Varonil às vezes devolvendo o dinheiro do Professor Sofredor, coitado do Professor neste Final de Segundo Milênio!, tem menos do que o pivete, coitado do Professor!, é muito mais pobre; o Professor do Brasil, neste Finalzinho de Século XX, está comendo o pão que o diabo amassou, o pão que o diabo amassou com o rabo, se hoje não tem, amanhã deusdará, deusdará o que puder dar; são tantos e tantos e tantos os pobres pra Deus sustentar, e o rico só dizendo “Graças a Deus!”, “graças a Deus!, eu tenho dinheiro!”; será que o meu Deus só gosta dos ricos do Ão?, será?; e o Pobre comendo o pão que o diabo amassou; e o Pivetão Grandalhão do Brasil Varonil não devolve o dinheiro do Professor Sofredor; às vezes o pivetinho devolve, ele não quer roubar um João-Ninguém mais pobre do que ele, o pivetinho que anda sem rumo, roubando e cheirando cola de sapateiro na Grande Ágora Cosmopolita do Rio de Janeiro; se hoje não tem, amanhã deusdará, deusdará o que puder dar; mas a entrada de Saturno Severo Meu Planeta das Finanças Volúveis Voláteis em Touro Sisudo me fará trabalhar, trabalhar, trabalhar; depois, quem sabe?, uma Bella Viagem à Europa Decadente dos Reis Decadentes, com todo aquele dinheiro que Saturno Severo me ofertará tão contente!; mas, por ora, o retorno do dinheiro ficará por conta da bondade de Deus Pai Onipotente; só o meu Deus Fidedigno proverá o Professor do Brasil Varonil; se continuar assim, no Próximo Século XXI ele morrerá, o Professor Sofredor morrerá de Fome, quero dizer; o JEC ameaça o Professor do Brasil Varonil, Jesus Está Chamando o Professor do Brasil para morar no Céu Cor de Anil; óh! que maçada!, a entrada do Astro Saturno em Touro me fará trabalhar, trabalhar, trabalhar, o Retorno da Sorte ficará por conta de Júpiter Amigo Rompante; Júpiter Troante entrará em Áries Arrogante no dia 13 de fevereiro de 1999, e a partir desse dia o Meu Coração Vai Pegar Fogo, as Coisas do Coração Prometem Pegar Fogo, eu vou sair por aí para encontrar o Ulisses Peralta da Silva Mineiro Cheio da Grana Real, digo, encontrar o tal Milionário Legal; vou ao Bairro das Laranjeiras, das Laranjeiras em Flor, para seduzir o Dagoberto Terrestre, vou roubar o Dagoberto da Gigi de Camargo; aqui, nesse Final de Século e de Milênio, o grande barato é roubar os maridos, roubar os maridos das outras mulheres, coitadas!, e não vou desistir da conquista, não Senhor!, eu vou conquistar o Dagoberto Terrestre, meu Amor!, agora, com Plutão em Sagitário, eu vou me esbaldar pra valer; mas terei de tomar muito cuidado, Júpiter estimula os excessos, poderá pintar um embaraço depois, um embaraço depois dos cinqüenta é um problemão, estar embaraçada depois dos cinqüenta não é brincadeira não, o que dirão os Amigos?, e a Família?; por isto, cuidado!, cuidado com esta euforia, Mulher!, não vá se encrencar!, obrigue-o a usar a obrigatória camisinha inventada por Vênus Madrinha; a fábrica por ora ainda está funcionando!, de qualquer maneira olhe as rugas e os pneus da cintura, não seja uma veirota pra lá de assanhada, não se empolgue tanto, não faça aquilo que os outros pensam que você faz, Sagitariana Antigona!, mas hoje é Sábado de Carnaval, 13 de fevereiro de 1999; como eu ia dizendo, o Treze é meu Número de Sorte!; com um pouco de sorte não ficarei embaraçada no Mundo Profundo da Inventiva Epo-Ficção; o rico Dagoberto Terrestre já está muito velho, e a Gigi de Camargo é uma mulheraça, uma senhora muito distinta e bonita e elegante de fato, o Dagoberto não vai nem olhar para mim, não Senhor!; agora, só me resta conquistar o Sálvio dos Anjos Milionários, o Homem Mais Rico do Meu Brasil Varonil, entrementes, o Sálvio está em São Paulo, vou ter de viajar a São Paulo, se quiser conquistar o Sálvio Ricaço, para ganhar aquele Foguete Veloz Supersônico, ou aquele Avião Supersônico que o meu Amor me dará no Presente, Viajar de Ônibus Velho é muito cansativo, demente, estou cansada de viajar de Ônibus Velho caindo aos pedaços, digo, estou veirota e caindo aos pedaços, não posso mais viajar de Ônibus Velhusco, prefiro viajar confortavelmente de Avião, meu Adão!, ainda mais se esse avião for um Avião Supersônico, mais Veloz do que o Famoso Famigerado Concord Americano-Francês, do qual jogarei reais dólares, francos e euros para os Pobres do Brasil Varonil; só metade da Fortuna, meu Bem!, com a outra metade Viajarei pelo Mundo Rotundo e pelo Mundo Profundo também, tendo ao meu lado o meu Ulisses da Silva Peralta Agora Com Pouco Dinheiro no Bolso e na Bolsa, com a outra metade comprarei muitas jóias e muitos vestidos caros também; Júpiter em Áries está me prometendo esta Sorte Grandiosa Incrível Portentosa, Júpiter em Áries não me faltará, não Senhor!, se ele em Áries não resolver a questão, apelarei para os Bons Fluidos de Vênus Madrinha Defato Patrona de Minha Casa Astrológica do Trabalho Sensato, ela só me ajudará no mês de julho de 1999, no dia 13 de julho, para ser mais exata, quando ela entrará triunfalmente na minha Casa Dez da Carreira Metódica, a 0° 12’ (zero grau e doze minutos) de Virgem Trabalhadora Opressora, entrando em cena para dizer-me que, por telefone ou carta ou via Internet, poderei conhecer uma Pessoa de Lugar Bem Distante, bon Diós!, até Mesmo de Outro País, my God!, mon Dieu!; mas Júpiter Troante da Fortuna e Abundância em Áries não me faltará, não Senhor!, ele ativará as minhas Idéias Atropeladas Animadas; e eu terei muita capacidade para resolver meus problemas insolúveis; e, neste Final de Século XX e Final de Segundo Milênio também, o Maior Problema do Brasil Monumental é a Negra Fome em Geral, a Fome Real do Nordeste e Arredores, principalmente, mais de Oitenta Por Cento dos Brasileiros morrem de fome aqui no Brasil Cor de Anil, neste Final de Segundo Milênio (pesquisem!), no Nordeste e nas Grandes Favelas das Grandes Cidades do Brasil Varonil, de Sampaulo, Rio de Janeiro e Belô, de Curitiba, Santos e Salvador, do Oiapoque ao Chuí a Pobreza é Geral, a Pobreza Impera no Brasil Federal, neste Final de Século XX, neste Final de Segundo Milênio; e ainda tem Gente achando que tudo está very good, tem Gente achando que o Pobre Brasilês merece essas Agruras da Vida, que o Pobre não sabe valorizar o que tem (será que ele tem?), tem Gente achando que tá tudo uma maravilha no Reino do Ão; mas, mesmo assim, com todos os Insolúveis Problemas do meu Brasil Problemão, eu, Odisséia Maria da Estrella Guia, não saio daqui não!, gosto pra caramba do meu Brasil Varonil!; mas, como eu ia dizendo, em 1999, durante o Anno Todo, esse meu jeito expansivo vai brilhar pra chuchu, chuchu se escreve com ch, meu Rapaz, talvez, no seu Tempo Futuro, Amanhã, chuchu será grafado com x, óh! meu Netinho Feliz!, nas feiras analfabetas do Valeroso Brasil a grafia é “xuxu”, as Rígidas Normas Gramaticais Portuguesa-Brasilesa mudam com as Exigências do Tempo Vital, o hoje considerado incorreto, amanhã será o certo, e assim roda o Mundo Rotundo, meu Caríssimo Latinista Raimundo!; neste 13 de fevereiro de 1999, o meu jeito expansivo vai brilhar pra valer, e o Treze, quomodo já lhe disse, é o meu Número de Sorte, e até 28 de março estarei atraindo o Amor, surgirão diversões e chances de Viagem Aventurosa, de conhecer Países Exóticos e outras maneiras de viver aqui nesta Terra de Deus dos Cristãos e Hebreus, sou Sagitariana Brasilana e quero Viajar Sem Parar; mas, claro!, irei Viajar, sim Senhor!, meu Amor!; Com Todo Aquele Dinheirão Prognosticado Por Um Orago Antigão!; Júpiter me dará o Dinheiro da Sorte, digo, com o dinheiro que o meu Amor Transcendental Sem-Igual me dará de presente; melhor ainda, com todo o suado dinheirinho que receberei trabalhando, irei viajar, viajar, viajar; irei viajar, sim Senhor!, desta vez a Grécia não me vai escapar, meu Amor!, irei à Grécia, foi Mercúrio Veloz que mo disse, só para andar de burrico, à moda do divino Avalone, parente do Rei Arthur da Távola Redonda per o lado materno, um Genial Professor Espanhol, Professor de Grego Genérico na Antiga UFRJ da Avenida Chile do Rio de Janeiro, o meu veiroto Professor, hoje, aposentado, passeando de burrico no Olimpo da Cidade de Atenas e no Olimpo da Praia do Flamengo da Cidade do Rio, ensinando o alfabeto grego antigo aos deuses de lá e às neusas de acá; não se preocupe, Avalone!, falarei de seu Tesoiro Grego Epo-Romântico aos Leitores Universitários do Brasil Varonil no Futuro Brilhante; se os de hoje não ouvirem, os do Futuro ouvirão; por isso irei à Grécia Antiga dos deuses Fortudos só para andar de burrico também; foi Você, Avalone!, ensinou-me a idolatrar a Grécia dos deuses pagãos!; andarei entre as ruínas dos Templos Antigos, vou apreciar as Belezas das Trilhas Inóspitas da Península Balcânica, visitarei o Templo de Apolo Cantor e de Palas Athenas também, me banharei nas Thermas de Afrodite Bonita, a Bella, segurarei com certeza no cabresto do Centauro Quirón, aquele Sábio Centauro, Arqueiro Indomável, amigo dos deuses pagãos, e andarei sem destino, passeando, tendo por Guia o Centauro Mais Bello da História dos Gregos; passearei sem destino na Ilha de Ogigia, qual Calíope Fermosa de Tranças Bem Feitas a seduzir seu Ulisses Solerte Eversor de Cidades Pagãs, voarei com Hermes Termegisthus pelos Céus da Europa, e conquistarei o Troante Zeus Sedutor, o mais Vitorioso Amador de Mulheres que já existiu no Universo Mitológico da Literatura Grega do Ocidente Sem-Fim; mas tudo isto depois de passar pelas mãos do Doutor Ivo Pitangui, o mais famoso cirurgião plástico do Brasil Varonil e do Mundo Rotundo; pagarei a plástica, caríssima!, operada pelo médico famoso do Brasil Varonil, com uma parte do dinheiro epo-ficcional de Saturno Soturno, ele me dará de presente; as cirurgias plásticas do Doutor Pitangui são muito caras, mas valem o dinheirão, a mulher se torna jovem de novo, o divino Pitangui é um enviado dos deuses eternais, o divino Cirurgião apareceu neste Mundo Rotundo só para rejuvenescer as mulheres, as Mulheres do Mundo reverenciam o Magnífico Doutor; quem é que não quer ter beleza e saúde?; infelizmente, a cirurgia plástica é só um paliativo, depois de alguns annos cai tudo de novo, as rugas do rosto voltam com furor; de qualquer maneira, não faz mal!, por algum tempo serei bonitinha de novo, e com certeza conquistarei um Zeus Bonitão e Gatoso, com certa certeza andando de Carrão Brilhante, Metálico, Prateado ou Dourado, impulsionado por um Motor de Mil Cavalos Fortíssimos, Alto e de Rodas Bem Feitas, provido também de Capota, um Corcel Cor de Mel dos Annos Setenta, ainda Mui Vigoroso neste Final dos Annos Noventa, na Grécia dos Heróis Valerosos; depois, dormirei, encantada!, ainda na Grécia das Bellalendas Antigas, na cama que escolherei, com o estupendo deus guerreiro da lança certeira que domarei, tudo é possível no Plano da Epo-Ficção!, e viajarei animada na Carruagem de Apolo Musicista Tão Bello e Charmoso, aquele Sol divindade que sempre trazia o dia celebrado nas Campanhas Antigas, Vitorioso, Orgulhoso, tendo quomodo Cocheiro o Atrevido Faetonte; mas não quero graça com Hefesto de Hades, que Buda me proteja do Hefesto Terrível, prefiro um tête-à-tête com Osíris divino; mas Osíris reina no Egito distante e também no Olimpo Barulhento do Mercado Saara do Rio de Janeiro, e o Olimpo da Grécia está mui longe do Egito, está longe da Cidade de acá; talvez, quem sabe?, uma voltinha sem compromisso na Floresta dos Celtas, uma palavrinha com o deus Thor, quem sabe?, vou pegar o martelo de Thor e gritarei o meu grito de guerra; eu, Jane Odisséia da Grande Selva Tropical do Brasil Varonil!, e Vossa Mercê, meu Tarzan!, meu Herói!, digo, Vosmecê, meu Osíris!, Thor, quero dizer!, ou, você, Júpiter, ou, ocê, Zeus; óh! Confusão Mitológica!, Odisséia Maria!, cê está a misturar os Mitos do Mundo!, óh, Mulherrrrrr!!!,

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXVII

NEUZA MACHADO




ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO SÉTIMO CANTO



mas, quomodo já lhe disse páginas atrás, para o Governo do Rio de Janeiro, neste Início de Anno de 1999, o Povo Carioquês conta com o Menininho, esperando com fé que ele cumpra o prometido, tudo o que ele prometeu na Campanha Eleitoral para as Eleições de Novembro de 1998; entretanto, os políticos fazem promessas e não cumprem nem a metade, sempre prometem solucionar os problemas do Povo Sofrido; depois de eleitos, não solucionam nada; por enquanto, eu repito, por enquanto, por enquanto, no Menininho todos confiam, ele é um Crente em Jesus e é um garotinho, ele vai cuidar do Rio Encantado com amor e carinho, não esquecerá suas sinceras promessas não, vai consertar o Rio de Janeiro, eu vou esperar!, limpar as ruas da Cidade Maravilhosa; limpar, por exemplo, o rio Maracanã, bem perto do meu Micro-Casulo de Seda Mineira, moralizar o Desmoralizado, tapar os buracos da Cidade do Rio, melhorar o atendimento público nas Repartições Públicas do Rio de Janeiro, cuidar dos Hospitais Abandonados, cuidar da saúde do Povo Sofredor, neste início de 1999, matar a Fome dos Miseráveis, solucionar os problemas do Pobre Trabalhador Brasileiro Sem Eira Nem Beira, pois os Pobres daqui vão vivendo quomodo Deus quer, mesmo que alguns digam o contrário, que está tudo bão no Reino do Ão, os pobres daqui vão vivendo quomo Deus quer; quomo, como, quomodo Você quiser!, se hoje não tem, amanhã deusdará; mas o Menininho é o Atual Governador; aquele, o que diz “está tudo bão!”, não votou no Menininho não, não faz parte da oposição, não Senhor!, é partidário do grupo da situação; o Menininho, por ora, se ele no Futuro não virar a casaca, repito, por ora, é uma pedra no caminho da situação, por isso, para ele, até então, não estava nada bão, meu Irmão; o Povo, por ora, confia no Menininho, ele é um Crente em Jesus e cumprirá o prometido, neste início de 1999 até o final do seu Mandato Sensato, cuidará dos problemas do Povo Sofrido; mas ele, Coitado!, carrega um Grande Fardo, mora num Palácio Encantado, mora em um Grande Palácio Bem-Assombrado, mora no Palácio do Governador, no Bairro das Lindas Laranjeiras em Flor, das Verdes Laranjeiras Gigantes do Imperador; naquele Bairro Assinalado, no passado, havia muitas gigantescas laranjeiras em flor, depois as ditas premiavam as crianças com saborosas laranjas-da-terra; ele mora no Palácio das Laranjeiras em Flor, de Florezinhas Branquinhas Branquinhas, pra lá de Branquinhas; existe também um outro bellíssimo Palácio Encantado ornamentando e enriquecendo a Maravilhosa Cidade, é o Palácio dito Presidencial; o Rio de Janeiro, em priscas eras, foi a Capital do Brasil Varonil; o dito Palácio é o Palácio do Catete, localizado no Bairro da Glória Triunfal; esse Palácio do Catete tem umas águias sinistras nos cantos sinistros do seu antigo telhado; há outros bellos Palácios no Rio, Encantados, quomodo, por exemplo, o Palácio do Itamarati, também o do Museu da República, ainda o Velho Palácio da Praça 15 de Novembro, e mui outros da época em que os Reis de Portugal aportaram per acá, incluindo os posteriores Palácios do Esplendor do Café; no Século XXI existirão Palácios no Rio de Janeiro?, será?; o Rio de Janeiro está a se transformar numa Imensa Favela, meu preocupado Leitor do Terceiro Milênio, do Quarto, do Quinto, quem sabe?, do Sexto também; talvez, Você só saberá que existiu uma Cidade Maravilhosa no Mundo Rotundo, Raimundo, por intermédio destas palavras aladas, se estas palavras chegarem a Você, meu Amor!; no Século XXI existirá a Ponte Rio-Niterói?, será?, aquela construída com o sacrifício do Povo?, será?, no Século XXI existirá a Cidade do Rio Encantado?, será?, a Cidade Mais Bella do Mundo Rotundo; será que existirá o Mundo Rotundo, Raimundo?; mas quomodo ia contando, viajo agora para São Gonçalo do Estado do Rio de Janeiro, e hoje é o Primeiro Dia de Fevereiro de 1999, a Lua Cheia vai brilhar à noite em Virgem Assanhada, e flertará com os Astros do Céu Cor de Breu, os que olham o céu apreciarão a beleza do Mundo Rotundo e do Mundo Profundo também; são poucos os que olham o Céu Escurecido Com Poucas Estrelas Brilhantes neste Final de Século XX Demente; a vida de hoje é uma correria constante, o dia é pequeno demais, meu Rapaz!, as Horas Mágicas passam voando voando; há pouco, passaram as Doze Horas do Dia Estafante, voando garbosas com suas Asas Brilhantes, acompanhando felizes a Carruagem do Sol de Apolo Cantante, voando garbosas pra o Futuro Distante, soltas, leves e livres no Espaço Dourado, no Espaço Encantado DeMentes Brilhante, a deusa charmosa do Grego Antigo Cantante; há pouco, passaram as Doze Horas do Dia, em direção ao Infinito do Relógio Central do Brasil Varonil, as Súditas Fiéis de Apolo Cantor, voando com o Tempo que passa que passa, que passa sem princípio sem fim sem medida, só para recordar-me dos versos do divo Poeta Bilac, o divino Príncipe que da Terra se foi no Princípio do Século XX, e agora festeja, com outros divinos que partiram da Terra, o título invejável de Príncipe Cantor Sucessor do Apolo dos Gregos Antigos, uma honra recebida em seus annos de vida na Terra, de seus Leitores e Amigos do Final do Século XIX e do Século XX também; há pouco, passaram as Doze Horas do Dia, enquanto eu, Odisséia Maria, atravessava de Ônibus Velho do Velho do Restello a Ponte Brilhante do Futuro Distante, pensando em Bilac e em outros divinos cantantes, que hoje estão no Reino do Único Deus dos Cristãos, comendo e bebendo no Banquete Eternal; Apolo Pagão das Narrativas Antigas de Versos Hexâmetros, grandiloqüentes, troantes, com inveja, a olhar de longe, distante; os outros deuses do Olimpo de Homero e de Hesíodo ficam olhando também; e os da Floresta dos Celtas; e os deuses tutelares da Roma dos Césares; os deuses pagãos estão olhando invejosos, porque o Deus dos Hebreus e também dos Cristãos é o mais poderoso; são poucos, no mundo atual, que alcançam tão Alta Honraria, participar para sempre dos Banquetes do Céu, ao lado dos Arcanjos, dos Anjos, dos Serafins e dos Querubins, e de toda Hierarquia Celestial Sem-Igual que compõe o Exército de Deus Onipotente Silente; Bilac, Alberto, Raimundo e o Cruz, todos os Poetas do Final do Século XIX no Brasil Varonil e do Século XX também, aqueles Poetas que formalizaram em poemas a Poesia Volátil, e que mostraram a existência de um Plano de luz repleto de Imagens Desconhecidas e Magias Sem-Fim, o Mundo Secreto do Amorfo Silêncio, do Indizível Espaço Distante das Regras e Conceitos do Mundo Rotundo, todos esses Assinalados se banqueteando no Céu Cor de Anil, o Céu Cor de Anil do meu Brasil Varonil, porque na Terra honraram seus nomes mortais, agora imortais; mas, quomodo ia contando!, as Incríveis Doze Horas do Dia passando passando, voando felizes em direção ao Futuro Sem-Muro, a Carruagem do Sol brilhando brilhando, brilhando lindamente no Infinito Azulado, brilhando brilhando brilhando nos meus Sonhos Dourados; Apolo Cantor correndo entre as Nuvens Moventes, e o dia de hoje repleto de Luz, os Endeusados Peixões Luzidios e as Sereias Faceiras, moirenas do Rio Encantado seduzindo os mortais, as Sereias Faceiras da Baía Encantada brincando nas praias, os Peixões Luzidios e as Sereias Moirenas seduzindo os mortais, levando os fracos mortais à Loucura do Amor; e Odisséia Maria, esta Vossa Criada, viajando em direção ao trabalho estafante, atravessando a Ponte Grandiosa do Futuro Distante, a Ponte Intrigante DeMentes Brilhante; óh! Ponte Famosa!, uma das Maiores do Mundo, construída com o sacrifício do Povo Sofrido, um Povo que trabalha trabalha, e no fim de um mês qualquer de um Final de Século XX Malfadado, não tem dinheiro pra pagar os Impostos impostos; desculpe-me o meu Contar Redundante, óh!, Leitor do Futuro Distante!, os impostos são tantos que o Pobre do Brasil Varonil quase morre de fome, neste Início de Anno de 1999, o dinheiro que sobra não dá para nada, e é preciso comer, senão a morte virá com certeza, e é preciso vestir, andar pelado é proibido, os tecidos de algodão estão custando os olhos da cara, as costureiras matreiras cobram um dinheirão, as roupas prontas das Lojas Americanas e Outras Por Certo Estrangeiras custam um dinheirão, as Montras Lindonas Bonitonas da Cidade, com seus nomes difíceis estrangeiros, expõem as roupas da moda, e o Pobre Coitado do Brasil Varonil não pode comprar; o Povo Brasilês (neste início de 1999) vive de teimoso que é, se hoje não tem, amanhã deusdará, deusdará a comida, deusdará a roupa, deusdará a esperança de viver com bonança, deusdará a esperança para sobviver neste Tenebroso Angustioso Caos; o Caos Apocalíptico do Século XX Agonizante, mas, mesmo assim, as Horas Velozes do Tempo Infinito passam felizes voando voando voando, e o Coração Sem Tamanho do Brasileiro da Cruz se enche de Luz, repleto da Luz Verde da Incorrigível Esperança; o Coitadinho-Brasileiro do Final do Segundo Milênio espera que as coisas melhorem no Reino do Ão!,

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXVI

NEUZA MACHADO



ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO SEXTO CANTO



mas, como eu ia contando, o pobre não aproveita nada na Terra do Ão, só os ricos aproveitam tudo, Irmão!; o pobre só aproveita o Carnaval, meu Irmão!; economiza muito só para sair no Carnaval, e pula e dança a noite toda com muita resistência; nesses dias, pobres e ricos se irmanam ao som dos batuques, das cuícas e dos tamborins, e todos dançam e pulam como loucos nas ruas do Brasil Varonil; as Escolas de Samba desfilam na Avenida Central, na Avenida que é a vida dos Carnavalescos do Rio, e a dança mais popular do Brasil invade os salões e as ruas e as boates e os clubes, e as moças e moços requebram e dançam ao som das cuícas e bumbos estridentes das baterias carnavalescas, elas tocam três dias seguidos sem parar, é um espetáculo pagão de rara beleza, a música carnavalesca nas ruas do Rio de Janeiro Altaneiro, o céu abraça a terra iluminada e as luzes se encontram, as luzes das estrelas do céu e das estrelas da terra, jovens se fantasiam para o Grande Carnaval Sem-Igual, e sambam e dançam até o Sol Apolíneo raiar, às vezes não param, emendam o dia com a noite, são três dias de festa e orgias sem fim, as bebidas dos deuses enchem os copos de vidro barato dos pobres mortais, dos mortais da Terra do Ão, e a falsa alegria invade os salões e as ruas, e o Salgueiro Querido dos Foliões Tijucanos do Bloco Carnavalesco Nem Muda Nem Sai de Cima vai desfilar na Avenida; uma vibrante Escola de Samba do meu Brasil Varonil, às vésperas do Carnaval de 1999, ensaia seus sambas na minha Rua Encantada, uma rua bacana da Tijuca Sensacional se transforma, às sextas-feiras, numa imensa Feira-Mercado à moda medieval, e essas noites de ensaio não me deixam dormir, não consigo dormir, o som é altissonante, barulhento demais; depois dos ensaios, nos três dias de carnaval, o Salgueiro dos foliões tijucanos desfila na Avenida Central, a Ágora Atual está transbordando de gente inflamada, o Salgueiro desfila eletrizado pra ser campeão, será campeão, e o céu todo abraça a terra iluminada, abraça a Terra do Ão, meu Irmão!, e o povo todo esquece os seus insolúveis problemas, homenageando o poeta popular, o povo todo, neste início de 1999, quer morrer no carnaval, sambando e cantando, pra esquecer suas dores, porque somente as alegrias da vida valem lembranças, e o lá-lá-rá-lá-rá-rá invade os corações com alegria e paixão, no Rio de Janeiro todo mundo vai cantar e sambar, o céu abraça a terra iluminada, quando o povo quiser morrer, após um porre titânico, morrerá feliz, sambou e cantou e sorriu e chorou; o bloco saiu com o povo reunido, brancos e pretos irmanados ao som dos sambas-enredo, ricos e pobres unidos e esquecidos das diferenças de classe, a cidade e o morro num grande abraço amigável, o pobre do morro beijando a rica mocinha, aquela moça de boa família que lhe apresentei lá atrás, páginas de embaralhado tecido verbal, e saiba Você que todos se unem nos dias de Carnaval, as Escolas de Samba disputam o Grande Campeonato, a Grande Vencedora levará o troféu, a Escola mais linda receberá o prêmio, a bem fantasiada, aquela que dançar e cantar com mais entusiasmo e prazer receberá aprovação do júri seleto, por isto, os passistas se esmeram, os porta-bandeiras das Escolas de Samba rodopiam na Avenida Central com suas Bellas Fantasias de Príncipes e de Principesas e et cœtera e tal; cada fantasia mais luxuosa do que a outra, passam necessidades vitais o anno inteiro pra comprar a tal fantasia, comem mal pra caramba, o dinheiro é escasso, mas conseguem o dinheiro da fantasia, sim Senhor!, se tornam Reis e Rainhas nas noites de carnaval, se tornam famosos nas rodas de samba, seus retratos saem nas revistas da moda atual e dos jornais populares, neste início de 1999, a televisão os eleva ao patamar da glória, se tornam famosos por três dias e nas noites seguintes também, enquanto durar a euforia, entendeu?, depois voltam apagados e tristes para a vida diária, comendo sempre o pão que o diabo amassou, comendo o pão que o diabo amassou com o rabo, por três dias foram aclamados e endeusados; o Mundo Inteiro vem para o Brasil, os turistas estrangeiros vêm para o Brasil nos dias em que a folhinha assinala o Carnaval Sem-Igual, e os turistas estrangeiros invadem o Brasil, e o turismo brasileiro produz muito dinheiro, só não sabemos para onde vai o tal dinheiro altaneiro, o povo oprimido vai continuar sem pão, sonhando por mais um anno com o Carnaval, no mês de fevereiro ou março existe o carnaval no Brasil, o Carnaval do Brasil Varonil, meu Amor!, Festa Antiga e Pagã, agora Brasileira, parece até que o carnaval nasceu no Brasil, o Carnaval Dionisíaco é hoje brasileiro, o Carnaval de Veneza se misturou com o samba africano e virou brasileiro, o Carnaval Antigo da Veneza Antiga, Carnaval Monumental só mesmo no Brasil, o melhor Carnaval do Mundo é o Carnaval do Brasil Varonil; no entanto, nem mesmo o carnaval modifica o Brasil, por enquanto, neste início de 1999, seremos sempre habitantes do Inglório Terceiro Mundo Rotundo, não obstante o Carnaval Monumental do Brasil Varonil, o Maior Espetáculo da Terra é o Carnaval Brasileiro, muito elogiado no mundo, a despeito da violência e das drogas e das orgias pagãs, carnaval das brigas de rua e das mortes violentas, carnaval bestial muito aplaudido, a Arena Pós-Moderna é o Carnaval do Brasil, todos sabem, tragédias terríveis acontecem no Carnaval Brasileiro, mesmo assim, os jovens e velhos pulam e dançam as três noites seguidas e os três dias também, alegrias e dores compõem o carnaval, o carnaval dos pobres é dos ricos também, as moças de família se despem no carnaval, os moços de família se bestializam no carnaval, as bebidas alcóolicas rolam no carnaval, o povo todo se embebeda no carnaval, e a Bateria de Músicos vai puxando o Cordão de Carnavalescos, todos dançam e cantam sem parar, e os ricos semideuses se irmanam com os pobres mortais, os deuses gregos descem do Olimpo Pagão, e o turista detecta Febo Apolo fantasiado de Bello Crioulo, um deus negro descendo do Olimpo-Salgueiro, mostrando a beleza e esplendor do Homem Brasileiro, mostrando a força da Mistura de Raças, mostrando ao turista o que é ser Brasileiro, mostrando a todos o seu porte altaneiro, a galhardia de ser Brasileiro nesta mistura de raças e religiões, o Povo Brasilês é uma incrível mistura, dês que o português aportou per acá, é branco, negro, italiano, chinês; no Sul do Brasil a origem é alemã, os italianos também se aclimataram legal, e os japoneses vieram plantar tomate no Brasil de Cabral, e por todos os lados se vêem olhinhos amendoados, são Brasileiros Com Muito Prazer, orgulhosos de sua Terra Natal, jamais voltarão para seus países de origem, onde nasceram seus avós, pra cá emigraram, todos os estrangeiros amam o nosso Brasil Sem-Dinheiro, não obstante a pobreza, todo estrangeiro, morador de acá, neste início de 1999, quer ser brasileiro, ficam ricos e formam empresas milionárias, escravizando o Pobre Trabalhador Brasileiro com muito trabalho e um baixo salário, um salário insosso que Deus me livre, mas em verdade, Somos Todos Estrangeiros na Terra do Ão, o Índio da Floresta Encantada é o Verdadeiro Brasileiro, é o Filho Legítimo desta Terra Abençoada, os brancos europeus do passado roubaram dos Índios a terra e o direito de continuarem no mundo, os pobres Índios restantes estão morrendo à míngua, neste quase final de Século XX, desamparados pelos brancos arrancos, foram todos arrancados e roubados, roubaram-lhes o direito de acreditar em Tupã, impuseram a crença do branco ao Índio Indefeso, a cultura do Índio foi prascucuias, as Índias foram estupradas pelo branco malvado, e o Brasil se encheu de Curumins-Bonitins, o Brasil Varonil é uma mistura de raças, em Manaus-Amazonas os Caboclos enfeitam a Cidade, são filhos de Índia acasalada com branco português, espanhol, americano ou judeu, japoneses e coreanos namoram as caboclas manauaras, a mistura das raças vai continuando e crescendo, os rosados alemães grandalhões também participam da Festa, de vez em quando nasce um miudim caboclim, um curumim pequenino de olhos azuis com os lisos cabelos um tantinho alourados, herança pesada que seu pai lhe deixou; em Sampaulo os japoneses se casam com italianas e os rebentos do casal se tornam japonanos, esses japonanos são todos brasilanos,

domingo, 29 de novembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXV

NEUZA MACHADO




ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO QUINTO CANTO



mas, como eu ia dizendo, viajo agora em meu Imaginário Avião Supersônico fabricado na Cidade Maravilhosa e Fermosa dos Cariocas Intrépidos, quebrando as Barreiras Genéricas da Linear Narrativa Ordenada, para a invasão de um Novo Mundo Espiralado e Profundo no Próximo Terceiro Milênio da Era de Aquário; um Avião Supersônico pra lá de arretado, voando e voando através dos tempos, vou passando e voando sobre Antigas Cidades, vejo os Templos Tão Firmes de Jerusalém, as Pirâmides Antigas do Antigo Egito, proprietário daquele outro Grande Rio Sagrado, o Rio Nilo Fermoso Adorado na Época da Fartura de Trigo, vejo as Tumbas Memoráveis dos Faraós Memoráveis, mas sofro e choro quando a seca vem e acaba com os grãos de trigo que darão o pão, e o Povo Antigo sofrendo, sofrendo, o Povo da Antiga Nação implorando a seus deuses muita proteção, a abundância voltando a reinar no Egito pelas mãos de José Neto DeLabão ― óh! Assinalado José dos Hebreus!, salve o Brasil da Fome Voraz! ―, aquele José tão amado pelo Deus de Abraão, ele foi vendido pelos próprios irmãos ao Faraó divinizado, tornou-se escravo maltratado, depois, foi transformado em seu braço direito, poderoso, o Deus dos Hebreus jamais o abandonou e fez dele um Grande Adivinho, sim! Senhor!, e o José do Egito, o José dos Hebreus, salvou a Nação da fome feroz, guardou os grãos preciosos para o momento mais crítico da fome implacável, José do Egito soube estocar e guardar; e o povo aceitou seu inteligente comando; o José do Egito não roubou os egípcios, não roubou o povo que o adotou e amou, não! Senhor!, na época da fome distribuiu a farinha, antes guardada nos celeiros reais, o povo egípcio não morreu de fome; época incrível, meu Deus!, os governantes egípcios se preocupavam com o povo!; neste Anno de 1999, não sei não!, aqui, no meu Brasil Varonil, neste início de 1999, não sei não!, mas, como eu ia dizendo, vou viajando na Carruagem do Sonho Doloroso, que pena! meu Sonho do Agora não é um Sonho Fermoso!, vejo o Sertão do Brasil Varonil, o Povo Infeliz do Sertão Sem-Tostão morrendo de fome na seca inclemente, não tem José do Egito aqui para resolver a questão, o Povo da Seca, neste início de 1999, preste atenção!, espera o Sertão virar Mar, os peixes do mar invadindo o Sertão, se o Sertão virar mar, a fome acabará, o Pobre do Brasil Varonil terá peixe em perene abundância na refeição, mesmo sem pão, a água salgada matará a sede terrível, o Sertanejo do Brasil Varonil transformará a água salgada em água doce tratada, descobrirá com certeza uma engenhoca pós-moderna para retirar o sal da Água Encantada do Mar do Sertão, fará a água salgada se tornar água doce bebível, o Sertanejo, neste início de 1999, preste atenção!, espera o Maná, o maná cairá do Céu do Brasil Varonil quando a seca chegar; porém, maná que é maná não existe acá no Reino do Ão e do deusdará, se existir maná, o rico o venderá, um rico qualquer registrará o maná do Sertão Nordestino, fará com que o maná seja de sua propriedade e venderá o maná aos pobres coitados de lá, até os ossos raspados de animais consagrados são comercializados no Mundo Global, se transformam em farinha, têm muito cálcio para fortificar os ossos dos Homens Ricaços, a farinha de ossos vai mesmo é para a mesa do rico, agora, só os ricos comem farinha de ossos, o pobre não tem direito à nutritiva farinha de ossos, a farinha de ossos é um alimento caríssimo, tem muito cálcio, é saudável, nem mesmo os ossos sobraram para os pobres terráqueos sem-eira-nem-beira, aqui no meu Brasil Varonil, neste Final de Segundo Milênio; as pelancas de carne antigamente nada valiam, hoje valem muito dinheiro; tudo agora é vendido na Terra do Ão!; as sobras de carne, no passado, eram distribuídas aos mendigos da rua, agora, salgadas e ensacadas, em bellíssimas embalagens atraentes, atraem os fregueses, perdão!, os Clientes dos Grandes Maravilhosos Hipermercados, Imensas MegaLojas de arrepiar os cabelos praláde compridos, as ditas pelancas de carne são vendidas para o hiper endinheirado consumidor, o consumidor rico, meu Futuro Leitor, os pedacinhos de sobras de carne, salgadas e ensacadas, agora vão para a mesa do sabido ricão, os ricos compram pedacinhos de sobras para a feijoada ou para colocar na sopa do Domingão do Faustão, agora, neste início de 1999, é chique comprar sobras de carne, nem as sobras sobram mais para o trabalhador sofredor, aquele trabalha, trabalha, trabalha, nem mesmo as sobras de carne salgada ele pode comprar, agora (não s’esqueça jamais!, início de 1999), no Brasil Varonil, é chique comprar sobrinhas de carne bellamente ensacadas nos Hipermercados, enquanto isto o dinheiro altaneiro sobra no Banco dos Grandes Onzeneiros e Milhardeiros e Bilhardeiros e Mega Megatrilionários do Reino da Ilusão e do Ão, o dinheiro do rico onzeneiro, quero dizer, Leitor!, as sobras se transformaram em comida de rico neste final de Século/Milênio famigerado famoso (olhe a redundância da ganância, Leitor!), os Mestres-Cucas de Comidas Malucas da Televisão Mundial e do Brasil Varonil que o digam, não mais se oferecem sobras de comida aos desamparados famélicos, agora (final do Século XX, 1999, prest’atenção!), tudo se reaproveita, com muita paixão!, para o dinheiro render no Bolso do Rico Patrão, não se reparte mais o Pão Consagrado e o Vinho Abençoado na Terra do Ão,

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXIV

NEUZA MACHADO



ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO QUARTO CANTO



mas, como eu ia contando, só alegrias valem lembranças!, hoje, 27 de janeiro de 1999, Penúltimo Anno do Século XX e Penúltimo Anno do Milênio de Peixes, eu estou esperando extasiada o Grande Momento, a Passagem Para o Terceiro Milênio, sem acreditar em tamanha Sorte, meu Deus!, só os assinalados testemunham as Grandes Passagens do Mundo, e este será um Acontecimento Sem-Igual, e eu estarei viva, vivíssima!, se Deus quiser!, daqui a dois anos presenciarei a Passagem do Milênio de Peixes Praláde Emotivo para o Milênio de Aquário Indiferente e Internáutico, e verei os Fogos de Artifício no Céu, e presenciarei o Grande Espetáculo da Terra do Alto de um Edifício de Oitenta Andares, na Megalópole Mais Linda do Incrível Universo-Sem-Fim, o Mundo celebrando a Passagem Esperada, feliz da vida!, a profecia de Nostradamus não se realizou, as inúmeras profecias apócrifas não se realizaram, não se realizarão, graças a Deus!, o Mundo girando, girando, girando em volta do Sol Apolíneo, o Mundo continuará gira girando em volta do Sol, o Planeta Terra resistirá às intempéries, aos meteoritos caindo do céu, o mundo continuará resistindo ao desleixo do próprio Homem, o Homem não cuida com carinho de sua Morada; mas, como eu ia dizendo, só os Eleitos testemunham as Grandes Mudanças, e eu me sinto quomodo um ser assinalado; quomo, como, quomodo Você quiser!; somente os privilegiados testemunham as Grandes Ocorrências do Mundo Rotundo e Profundo; ser privilegiado sou eu!, meu Romeu!, estou aqui, permanente, atemporal, alicantinosa, epo-ficcional, agora, viajando num Avião Supersônico Veloz, descrevendo influente o Momento Enrolado de Uma Guerreira Mulher no Final do Milênio de Peixes, no Final do Século XX ― pesquise aí no seu Futuro Sem-Muro essas minhas palavras aladas ―, ao mesmo tempo, estou conversando com Você; Você ainda nem nasceu, meu Netinho!, mesmo assim, Amorzinho!, guarde bem as minhas palavras asadas, somente os Puros Eleitos Testemunham as Grandes Mudanças!; eu fui abençoada na hora de meu nascimento, um deva mineiro, um brilhante poeta, instalado em um interstício espaço de luz, entre os seres divinos e os pobres mortais, um deva magrinho careca e de óculos, sussurrou de looonge, láááááá em Diamantina, e o sussurro dele chegou até aos meus ouvidos de recém-nascida, “Vá, Odisséia Maria Ulissiponense da Grandiosa Selva Mineira - Divino - Carangolana - Greco - Romana - Francesa - Italiana - Hispano - Africana - Portuguesa - Brasilana, vá apreciar os Incomuns Acontecimentos do Mundo Profundo!, vá procurar, entre as Íngremes Montanhas de sua Terra Natal, um Sumetume Iluminado e Arejado, para você se evadir das normas severas de seus ancestrais e do mundo real, para você viajar pelo Espaço Estelar numa Aeronave de Cores Rosadas Azuladas Argentadas e Douradas, de mil matizes multicolores”, e isto aconteceu em uma madrugada de segunda-feira, no mês de novembro de quarenta e seis, com o Sol a 3º de Sagitário, o nono signo do zodíaco ocidental, quando o Sol Hipermineiro apontava no Belo Horizonte Faceiro de Minha Terra Natal, com seus magníficos raios luminosos, quando a Aurora Fermosa com seus dedos de rosas surgiu matutina e o Centauro Quirón, um velho habitante das Serras of Hinterland de Minas Gerais, se preparava para percorrer seus vastos domínios, atirando Flechas Brilhantes ao acaso ou em direção ao infinito sem-fim; mas, quomodo eu ia dizendo, somente os assinalados reconhecem os Importantes Momentos da Humanidade, óh, maravilha!, estou incluída entre esses poucos ditosos!, não fui esquecida na hora do meu nascimento, não, mesmo nascendo nas Brenhas do Grande Sertão, nas Serras of Hinterland de Minas Gerais, em uma pequenina cidade de belezas tais, melhor dizendo, em Santa Luzia do Carangola, uma velha cidade da época do esplendor do café, proprietária de um velho tupi yekiti’bá centenário, centenário é pouco para valorizar o rosa yekiti’bá em questão, talvez ele já exista desde a Descoberta do Brasil Varonil, uns quinhentos ou quatrocentos annos para o meu jekiti’bá orgulhoso, um jequitibá gigantesco, ele resistiu a um incêndio sem-igual, incêndio provocado per algum maluco descuidado, quase acabando com o jequitibá-rosa de quatrocentos annos, Amor!, mas o Povo da Terra lutou pelo jequitibá varonil, salvaram o jequitibá glorioso, o precioso patrimônio do meu conterrâneo tradicional, patrimônio afetivo daquela Cidadezinha Campestre, incrustada num Alto de Serra Of Hinterland da Zona da Matta Mineira Guerreira, amada idolatrada e adorada por mim; mas, como eu ia dizendo, viajo pelo interior de mim mesma buscando recordar os justos valores que nortearam a minha vida aqui nesta Terra Azulinda, dês aquele longínquo novembro, 2a feira, quando o Sol hipercarangolense iniciava a sua visita ao signo de Sagitário Cordial Vagamundo, no Criador Espaço Vazio Bashôniano Profundo entre a noite e o dia, quando a Aurora Fermosa com seus dedos de rosa surgiu matutina, 3º de Sagitário, ascendente em Escorpião ou Sagitário, não sei!, descubra aí no Futuro Sem-Muro, Amor!, aplacando a sua saudável curiosidade sobre a minha idade, Leitor Esotérico do Século XXI e Seguintes!, sabendo alicantinosamente que Você estará interessado nesta Minha Viagem Grumosa e Enrolada, procurarando compreender e julgar os encontros e desencontros de uma mulher de cinqüenta, Sumaca Antiquada dos Mares Revoltosos do Século XX, no Final do Milênio de Peixes, Você sentirá curiosidade em relação a esse meu período de tempo vivido aqui nesta Terra Azulinda de Deus Protector, em um momento muito conturbado e belicoso, naquele novembro assinalado no tempo, suspenso entre o Antes e o Porvir, com a Vênus Madrinha Retrógrada em Escorpião, ela me salvou de um destino amoroso meio aloucado, mas também me prejudicou horrores, saiba Você!, meu Amor!, Vênus Bella Assanhada estava andando para trás!, meu Rapaz!, não me premiou com líricos amores com super-homens românticos!; veja só!, estou aqui a me queixar de Vênus Madrinha!, estou reclamando de Vênus Afrodite de Traços Perfeitos!; saiba Você que Marte Amoroso dos Grandes Casos Sentimentais nunca me faltou, não Senhor!, os annos passam e eu continuo recebendo inúmeras porções de amor!; no entanto, quomodo boa sagitariana, de acordo com os Novos e Interessantes Vaticínios do Mundo D’Ágora, já distantes dos Terríveis Oráculos do Destino Pagão, nem sempre retribuo com a mesma moeda; mas vou levando a vida com muito jeito, se hoje não tem, amanhã deusdará, deusdará o que me faltar, mas vou levando a vida com muito cuidado, solitariamente fechada em meu Casulo de Bicho da Seda Tijucano; de qualquer modo, com Júpiter e Mercúrio em Escorpião no Mapa Astral de Nascimento, os dois, naquele dia sem-guia, estavam em Escorpião, o meu signo ascendente de proteção, ou será Sagitário?, Escorpião no ascendente me faz pensar duas vezes, de vez em quando refreia e embonda pra valer o meu entusiasmo sagitariano, mas o grande barato mesmo foi nascer com Urano Onomatomante em Gêmeos Falante, minha romântica Casa Sete do Casamento no Horóscopo Solar e Casa Oito no Mapa do Ascendente; eu tenho mania de onomatomania, uma preocupação obsessiva e doentia com a escolha de palavras, estou vivendo a última fase do período pós-cambriano, iniciado há milênios na Antiqüíssima Câmbria, penso que estamos vivendo um algonquianismo meio às avessas, a Vida Amorosa está se extinguindo na Terra per culpa das próprias ações insensatas dos Homens; pratico também a onomatomancia, adivinhação fundada no nome da pessoa impressionável; às vezes, pratico também a nefelomancia, invadindo os domínios de Zeus-Júpiter que as nuvens cumula, durante as minhas epo-ficcionais viagens de avião supersônico, Aeronave Brilhante, Espacial, Especial, Viajando Sem-Rumo pela Galáxia Estelar; assim meus Sonhados Amores foram todos estranhíssimos, uma grande atração por gente estrangeira, ouvindo palavras de amor em língua enrolada, até mesmo palavras de amor em língua tibetana pronunciadas per aquele jovem tibetano pisciano que poderia, ai, Jesus!, ser meu filho, a quem ensinei em dois meses a falar português-brasilês, e ensinou-me o caminho da verdadeira felicidade búdica na Terra, e os librianos estrangeiros residentes no Brasil Varonil!, sem falar nos virginianos estrangeiros e brasileiros que me cercam loucamente, exigindo qu’eu seja ordeira e certinha, criticando abertamente o meu modo de viver, e os ciúmes dos gentis cancerianos?, os cancerianos querendo cortar meu barato, querendo cortar as minhas asas rosadas, minha alegria de viver, quero dizer, mas o meu íntimo sagitariano das viagens impossíveis exige liberdade, quero o meu cavalo bem solto no Mundo Profundo, não quero saber de amarras reforçadas não, meu Irmão!, não aceito o ciúme e a inquietação no amor!, não senhor!, não quero ninguém pegando em meu pé com furor, ninguém pegando em meu pé pra valer; é verdade!, ambiciono muito amar, ser amada, eu quero, sim senhor!, quero ser amada até ao fim de meus dias na Terra, chegar aos cem anos ou mais amando loucamente, ensinando ao amado as regras do bem viver com lazer, ele na casa dele e eu em minha casa, de vez em quando um aconchego de amor, sou de carne e osso também, Deus me livre e guarde dos aproveitadores!; Deus!, me proteja dos sugadores de amor!, bom Deus!, afaste de mim os maiores abandonados!, esses homens-morcegos chupadores do sangue e dinheiro de uma anosa mulher!, eles merecem receber uma surra de toalha molhada à moda nordestina, pra reconhecerem o valor da mulher brasileira; mas, como eu ia dizendo, nascida em Carangola de Minas Gerais, amando e adorando o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa do meu Brasil Varonil, mas sem nunca deixar de amar minha terra de origem, sem nunca abandonar os valores mineiros, trazendo comigo os valores do campo, respeitando os mais velhos, respeitando os humildes; não sou melhor do que ninguém, não senhor!, mesmo reconhecendo as bençãos recebidas ao nascer, pois, na hora do meu nascimento, os deuses de Hammurabi Babilônico e um deva mineiro, da Cidade de Pedra, pronunciaram meu nome, vá, Circe Irinéia Maria dos Ficcionais Épicos e Poéticos Sonhos de Glórias Viajar Pelo Mundo, pelo Mundo Rotundo, vá conhecer um certo filósofo francês-camponês dos Campos Vinículos da França dos Reis, um filósofo francês nascido no campo, vá conhecer o barbudo filósofo camponês, aquele que soube, quomodo ninguém, defender O direito de sonhar neste Mundo Rotundo e Profundo, vá Odisséia Maria Grieco & Romanus amar Bachelard, suba com ele os Cogitos Superpostos dos Pensamentos Maiores, não ligue jamais para os Estreitosos que não apreciam as Redundâncias Vocabulares da Língua Brasileira-Portuguesa, elas abrilhantam as estampas dos doutores altaneiros do Brasil Varonil, não procure nunca um Benday para a Arte Final Sombreada dos seus Casos de Amor, viaje com ele até ao cogito três, pronuncia-se cógito, Leitor!, a palavra, meu Amigo!, é de origem latina!, procure no Dicionário do Aurelião, meu Irmão!, e Você saberá, Você saberá o significado correto da palavra cogito; mas, como eu ia dizendo, o deva e os deuses disseram, vá Odisséia Guerreira Praláde Sortuda amar Bachelard, viaje com ele até ao cogito três, plano lacunar do tempo do pensamento, alcançado apenas pelos pensadores-eleitos; aqueles sábios indivíduos buscam o plano do espírito, o tempo espiritual, mas sabem de antemão que não alcançarão jamais, o plano do espírito está fora do plano vital, mas está próximo do tempo do pensamento real, fora do plano vital, entendeu?; o tempo espiritual não pertence ao plano vital; mas, atenção!, não esquente a sua cabecinha, óh! Leitor Amigo do Terceiro Milênio e Seguintes!, eu mesma custei a entender o meu amor Bachelard, o plano do espírito está tão próximo de nós, mas não o alcançaremos jamais, não senhor!, apenas sentimos sua proximidade, intuímos o que se passa do lado de lá; o plano vital é bem diferente do espiritual, por isso custei a entender o meu amor Bachelard, o Fascinante Sábio Francês me ensinou maravilhosas filosofias transcendentais, acompanhou-me naquelas noites de amor e febre e paixão, noites tempestuosas passei com Bachelard ao meu lado, naqueles annos vibrantes da década de oitenta, enquanto entretanto eu escrevia a minha tese sofrida, e o Bachelard cuidando de mim com amor; e o João Cordisburgo também me protegendo, mui sedutor, quero dizer, o adorável mineiro escritor soube me seduzir com suas palavras aladas, digo, o adorável mineiro soube me seduzir ficcionalmente quomodo ninguém, foram horas e horas com os livros dos dois ao meu lado, num triângulo amoroso pra lá de esquentado, foram horas e horas passeando filosoficamente com Bachelard nos campos fermosos de sua fermosa Champagne, entre uvas e flores, bebendo o bom vinho francês; foram dias e dias, e horas e horas, e minutos e minutos, também, com o meu ficcional amor conterrâneo, o inesquecível João, passeando pelas Veredas do Grande Sertão, meu Irmão!, foram noites e noites embalada pelas Primeiras Estórias, Estas Estórias e outras estórias, Leitor!, sem falar nos outros livros do Inigualável Rosa, semelhante àquele deus antigo que as nuvens cumula, o Grande Rosa que me fascinou; segundo o meu Anjo-Guru Amazonense Rochel, o João Rosa era um homem singular; não conheci o preclaro escritor, dos divos Guimaranes descendentes, de um Estado Suevo da Lusitânea, enquanto ele viveu aqui nesta Terra de Deus, conheci apenas o João Escritor, sua face de incomum narrador, caminhando miticamente ao seu lado pelas Veredas do Grande Sertão; o João Narrador do Sertão ainda vive em minhas lembranças, eu o amei loucamente naquelas noites ficcionais, argentadas, douradas, rosadas, de mil cores azuis-matizadas, ainda ouço suas palavras de amor e carinho; o Dom João Cordisburgo era um Prestidigitador, um Grande Mago Literário, um Artista Sem-Igual, de valor, às vezes, naquelas noites dinâmicas, agitadas, febris, ele se transformava em Riobaldo Valente, eu me via transformada em Diadorim, a guerreira dos olhos verdes brilhantes, quero dizer, eu me via transformada em Maria Deodorina Valente e Pudica, a Virgem Fermosa dos Olhos Glaucos de Athenas, aquela foi em vida um destemido jagunço, parenta longínqua da corajosa Princesa Guerreira da Literatura de Cordel do Sofrido Nordeste Europeu-Brasileiro, para agradar a seu pai, o destemido rei-patriarca desejava um filho guerreiro!, saiu pelo Mundo Medieval em sangrentas batalhas, em vitoriosas pelejas de guerra, mas, de acordo com a lenda, foi vencida na Guerra do Amor, transformando-se depois em virtuosa esposa-rainha; a Diadorim-Deodorina, do meu grande escritor, não teve um final tão feliz, meu Leitor!, ela se figurou de jagunço-guerreiro e se fechou para o amor redentor, e sofreu pra caramba, a guerreira-donzela não pode revelar seu segredo de amor, mesmo assim, não conseguiu se desviar da paixão per Sir Riobaldo Sofredor de Trabalhos Sem Conta, quero dizer, do amor do Grande Tatarana Urutu-Branco das Guerras Sertanejas Dilatadas e Míticas, ele muito chorou, não se conformou em sentir atração per um homem fermoso e dengoso, de verdes olhos encantados; não se esqueça, meu Leitor!, a Maria Deodorina estava disfarçada na figura de um bravo jagunço, e Riobaldo Guerreiro, parente do Monsier Robert Le Diable Cavaleiro Francês, não sabia disso não, mas Diadorim era na verdade Maria Deodorina, Linda Mulher de Olhos Verdes Fermosos, mais bella do que a Princesa Magalona e a Encantadora Donzela Teodora e a Imperatriz Porcina do Cordel Nordestino, vestida de homem-jagunço et cœtera, etc e tal, mas o infeliz Riobaldo não sabia disso não, e o coitado do moço sofreu pra caramba, Leitor!, Riobaldo Tatarana Guerreiro sofreu por amor, per amor a um jagunço de olhos verdes fermosos, o destemido Riobaldo só descobriu o engano quando Diadorim, a dos mistérios profundos, jazia estendida no leito de morte, por ter lutado e matado o cruel Hermógenes; o Hermógenes Canhoto também a feriu com a morte fatal; só depois da morte sofrida Diadorim mostrou-se mulher, mas aí já era muito tarde para Riobaldo Guerreiro, o amante não pode consumar seu amor, terminou seus dias, já velho e cansado, um barranqueiro-Caronte do divo São Francisco Du Mont, um rio eternal do Brasil Varonil, sofrendo a perda do amor sedutor, e muito o pobre sofreu!; no entanto, se você quiser conhecer a vida aventurosa de Riobaldo Tatarana Jagunço Valente, leia Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa nos Séculos Vindouros, o maior escritor brasileiro do Século XX será venerado também pelos Leitores do Futuro Sem-Muro Equilibrado e Seguro; eu mesma, deste século atual de guerras sem-fim, amo e venero os escritores antigos, Homero e Hesíodo, narradores antigos, Século X ou IX ou VIII antes de Cristo, não sei!, grandes poetas épicos da Antigüidade Clássica; amo também os poetas líricos antigos, aqueles que habitaram as terras deíficas da Grécia de então, talvez no Século VIII ou VII antes de Cristo; reverencio todos os escritores da Idade Média Pré-Renascentista, Dante Alighieri D’Itália, Geovane Boccaccio e Francesco Petrarca; e ainda o divino Camões Português do Século XVI, digo, do Renascimento Português, ele deixou aos pósteros a epopéia mais bella e grandiosa existente, até hoje, em Língua Portuguesa quinhentista, a epopéia das aventuras marítimas do povo lusitano; óh! Povo praláde privilegiado!, conquistou o Mundo Rotundo e descobriu o Brasil e povoou o Brasil Varonil, no último Anno do Século XV, 1500, para ser mais exata, ainda hoje o Luís é reverenciado também por ter escrito lindos sonetos de amor, sonetos inspirados nos modelos maneiristas, reveladores do desconcerto do homem de então, o desconcerto do homem de uma mudança de Eras, do homem que saiu da Idade Média para a Idade Moderna, a Era das Grandes Navegações pelo Mundo de Deus e dos homens também, momento fatídico de Grandiosas Descobertas; a Era Moderna nos legou o Progresso, nos brindou com o desequilíbrio existencial, o desequilíbrio e o caos, o desequilíbrio do Homem começou nos annos quinhentos, meu Equilibrado Leitor do Terceiro Milênio e Seguintes!, começou no Século XVI; eu por exemplo sou a mais desconcertada dos seres que passaram pelo Mundo Rotundo e pelo Mundo Profundo e não sei consertar concertando esta minha Viagem Sonhada; não sei concertar esta minha Viagem Encantada, digo, não sei consertar concertando esta minha Viagem Intrincada; mas, como eu ia dizendo, tudo isto aprendi em minhas peregrinações noturnas, lendo os grandes escritores, magistrais intérpretes de suas épocas, por isto registro tudo aquilo que vejo e interpreto nestas desorientadas palavras aladas, a minha época é belicosa, brumosa, não é brincadeira não, o Caos impera no meu Mundo Atual, o Século XX, até o Agora sem hora, é um Século de Guerras Desenfreadas, é irmão contra irmão, pai contra filho e filho contra pai, et cœtera e etc e tal; mas, como eu ia dizendo, aprendi tudo isto lendo os maiores escritores desse mundo de Deus dos Hebreus e também dos Cristãos; os grandes escritores souberam registrar suas épocas, e escreveram sobre tudo o que ouviram e viram e sentiram, e deixaram para os pósteros documentos preciosos, documentos reveladores quomodo eram seus mundos de então; dês Homero e Hesíodo o Mundo mudou, em cada época a História nos mostra um mundo diferente, os poetas e narradores, mesmo criando mundos ficcionais, denunciam as mazelas de seu mundo vital, de seu mundo real, mostram quomodo foi realmente o seu Mundo Global; assim, eu viajo no tal Avião Supersônico Praláde Veloz, ele voa e voa através dos Tempos, vou passando e voando voando voando sobre Antigas Cidades;

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ODISSÉIA MARIA - XXIII

NEUZA MACHADO




ODISSÉIA MARIA

NEUZA MACHADO



VIGÉSIMO TERCEIRO CANTO



mas, como eu ia dizendo, a Sorte estava a meu alcance, num lance, segundo os Incríveis Magos Adivinhos do Século XX Final, no entanto, ela passou bem longe de mim, insensata que sou, simplesmente não atendi ao Oráculo, não joguei um centavo sequer, não Senhor!, não saí de casa em Busca da Sorte, mas sou uma sagitariana pra lá de sortuda, a Sorte por certo virá para mim, não preciso jogar para ter Sorte na vida, tenho a Sorte de possuir um Mundo de Sonhos, de sair por aí sem destino, sem aeroporto seguro, sem pouso, sem dogmas, viajando feliz numa Epo-Ficcional Aeronave Brilhante, tenho a sorte de ter nascido com Sorte, pois, na hora do meu nascimento, os deuses de Hammurabi Sétimo da Antiga Babilônia pronunciaram meu nome, e aquele deva mineiro magrinho e careca também, vai Doña Odisséia Maria Felix das Horas Felizes ser musa de poeta, vai dizer ao teu poeta Agustín, te quiero, te quiero, te quiero, solo tu és o amor de mis amores, e o divino Agustin mirando mis ojos, diciendo tener ganas de un beso mio, Agustin, dime si me quieres!, ya non me acuerdo de ti, Agustin!, usted nasció em setembro de 1900 e eu nasci em novembro de quarenta e seis, numa linda madrugada do dia 25, quando a Aurora dos dedos de rosa apontava no Horizonte Acima do Monte, com as Três Parcas Bondosas do Século XX tecendo meu destino, um destino diferente, é verdade!, de muitas aventuras incríveis, reais e imaginárias; as Parcas desta minha narrativa são todas bondosas!; as Parcas Antigas, Cloto, Láquesis e Átropos eram malvadas, elas fiavam, dobavam e cortavam o fio da vida; mas, como eu ia dizendo, o Agustin do passado distante preenchendo meu instante de paixão e amor, com seu canto mavioso e mui sedutor, eternamente gravado num disco de vinil, depois o disco antiquado foi repassado para um Compact Disc atual, totalmente recuperado por técnicas americanas do Final do Século XX, resgatando totalmente a voz do Cantor; no entanto, Agustin, você não é meu único Amor, Doña Maria Felix do Acapulco Monte Mineiro é uma mulher infiel, ela beija todos os atores de filmes americanos, digo, eu beijo todos os atores americanos do norte e do sul, sonho sempre que sou a mulher do mocinho, sou uma atriz de cinema beijando John Wayne às margens do Rio Vermelho ou Rio Bravo, não me lembro bem, e sou também a Odisséia Mineira do Leste Brasileiro, cansada das Guerras Inglórias do Final do Milênio de Peixes, amante ficcional do maior poeta da América Hispânica, aquele deiforme caleidoscópio desbravador sentimental da Cordilheira dos Andes, seduzindo e amando as chicas de lá, amanhã viajará o Tal pelo Mar do Caribe em um Magnífico e Invejável e Suntuoso Navio Fantasma, acompanhando amigável o divo Gabriel das Narrativas Insólitas; pois no jogo da paixão eu saio sempre na frente, eu sonho com o meu poeta latino flutuando no espaço, um deus caipira empunhando sua lança de guerra, conquistando as meninas e velhas do Rio, parolando e encantando as balzaquianas de acá, andando pelas calçadas de Ipanema Fermosa, bebendo cachaça e catuaba nos botecos do Rio, perseguindo as ninfas da Baía Sagrada, à noite retorna para o Olimpo dos Imortais Criadores do Mundo das Letras, andando nas Trilhas Inóspitas do Mundo Pralá de Profundo, do Mundo Amorfo, Sem-Forma, quero dizer, buscando sempre a palavra primeira, a palavra ainda não-pronunciada, a palavra impronunciada; mas, como eu ia dizendo, a noite passou, tive bellos sonhos mui coloridos, de madrugada, sonhei que estava em uma festa de sonhos, do alto da galeria enfeitada apreciando o espetáculo dinâmico, um grupo de jovens dançando dançando e encantando, com suas lindas vestimentas mui coloridas, dançando e encantando em um palco de areia, os jovens dançavam em uma das praias do Rio de Janeiro Vibrante, dançavam na praia do Arpoador, Leitor!, e os barcos coloridos desfilavam no mar, e era um espetáculo de rara beleza; meu Felizardo Ouvinte do Século Seguinte, no seu século, o Mundo será muito mais cordial, mais limpo e mais bello; os jovens cariocas dançavam e cantavam e encantavam, e eu, na galeria, apreciando o espetáculo, tendo ao meu lado o meu Anjo-Guru Amazonense Rochel; mas, como eu ia dizendo, a noite passou, e o 23 de janeiro de 1999 chegou, sim senhor!, com quatro planetas favoráveis no memorável Céu Astrológico, Sol, Júpiter, Netuno e Mercúrio, aumentando as minhas possibilidades de muito sucesso no amor, na sociedade e na profissão, e o Oráculo Vidente me empurrando pra frente, espere as boas surpresas que virão pra você!, mas não deixe de se divertir e amar!, curta cada segundo de vida ofertada!, os deuses do Olimpo, os deuses da Floresta dos Celtas, os deuses do Egito, os deuses dos Índios do Amazonas, os do candomblé, os deuses indianos e as divindades budistas, os astros poderosos et cœtera e tal, todos reunidos em um Grande Agorá olhando por você; solucione seus problemas da vida na Terra!, vá em frente, sem medo do Porvir, Odisséia Maria De Mente De Idéia!, cumpra seu destino no Mundo Vital!, você terá seu mundo de sonhos e et cœtera e tal, pois o Sol em Aquário lhe é favorável, os Sóis Aquarianos lhe envolverão, os aquarianos estão de olho em você, cuidado!, não se envolva com aquariano, não!, senão, adeus liberdade e viagens sem fim, os aquarianos estão todos à espreita, Mulher!, querendo laçar uma sagitariana feliz, e a liberdade é um bem precioso demais, cuidado com aquariano neste mês de janeiro, cuidado com aquarianos até 19 de fevereiro de 1999, depois, fique muito tranqüila, os piscianos perseguirão você; mas, como eu ia dizendo, Mercúrio está favorável em Capricórnio neste 23 de janeiro de 1999, e eu tenho de aproveitar as boas vibrações de Mercúrio Veloz da Astrologia Antiga e Moderna também, para trabalhar trabalhar e muito dinheiro ganhar; mas hoje é sábado e a Cidade descansa, vai descansar no domingo o meu Bem, e eu não poderei me valer de Mercúrio Veloz Falador, sou professora horista e não trabalho aos sábados, meu Amor!, mesmo assim, vou me aproveitar de Mercúrio Intrigante, não estarei tão falante quomo de costume, Mercúrio em Capricórnio me deixa acanhada, graças a Deus!, no dia vinte e sete, ele estará radiante em Aquário!, e eu também estarei bem falante, as Palavras Aladas me conduzirão a um Futuro Absolutamente Sem Muro, usarei a minha linguagem de filiação sumeriana, difícil e engrumada, entrarei na Carruagem Dourada do Tempo Incontido Quase Interdito dos Pensamentos Fervilhantes em direção ao Porvir, conversarei animada com os habitantes de lá, conhecerei as Cidades Antigas Flutuantes dos Desaparecidos Atlantes, descobrirei seus segredos incríveis e mirabolantes e et cœtera e tal; mas, como eu ia dizendo, retomando este fio enrolado de Ariadne Aracnídea Teceloa de Sonhos Impossíveis Dantanho, neste 23 de janeiro de 1999, Júpiter e Netuno também velam por mim; a Lua está momentaneamente em Áries, reforçando os meus loucos desejos de aventura e paixão, e eu vou sair por aí à procura do tal Supra-Homem Ideal, esbarrarei com ele a qualquer momento numa das esquinas das inúmeras ruas da Cidade Fatal, o Rio é a Cidade do Amor Sedutor, é a Cidade da Paixão, meu Varrão!, o Rio é a Cidade dos Amantes Divinos; São Paulo só serve para quem almeja ganhar dinheiro, só serve pra quem quer trabalhar e enricar; New York só serve para quem quer fazer compras e dinheiro gastar; os ricos do Brasil fazem compras em New York, entram em seus jatinhos e vão para New York, almoçam no Rio de Janeiro e jantam em New York, a Grande Cidade da América do Norte; mas, como eu ia dizendo, vou sair por aí, vou a Copacabana Bacana, ao Posto 4, na praia, neste 23 de janeiro de 1999, assistir ao show do meu aluno João, baterista de uma banda de música agitada, vibrante; as bandas de música, de 1960 per acá, já não são parecidas com as bandas de outrora, as saudosas furiosas bandinhas de minha infância mineira, tocando dobrados e valsas vienenses nos coretos das ágoras das pequeninas cidades do interior do Brasil, encantando as crianças e os adultos também, e os músicos todos com suas fardas azuis, com lindos apliques da cor do ouro velho, e os músicos todos com seus brilhantes instrumentos, espalhando pelo ar os sons maviosos, orgulhosos, tocando instrumentos de sopro, flauta doce, saxofone, trombone e pistom, vários outros instrumentos e et cœtera e tal, todos acompanhando a batida do bumbo, é pura emoção, meu Deus!, recordar isto tudo!, meu Pai tão amado foi trombonista da Banda de minha Cidade Natal, tocava marchas e hinos e encantava os habitantes de lá, naquelas tardes distantes dos annos cinqüenta, no Antigo Coreto da Ágora Central, um Bello Monumento Que Não Foi Tombado, aquela praça defronte à Igreja Matriz, a Igreja Matriz de Santa Luzia dos Cegos Videntes de minha Carangola Frajola, a mesma Igreja Católica de meu batizado, no dia treze de julho de quarenta e sete, meus pais e padrinhos (o Antônio e a Joanna, o José e a Rita) juraram em meu nome qu’eu sempre seguiria os preceitos romanos, adorando a Deus Pai sobre todas as coisas, rejeitando sempre as outras crenças infiéis; entretanto, todas as crenças acreditam em um Ser Supra-Divino, e todas elas acreditam também em um Céu Divinal, acreditam em um lugar especial, para onde irão os que acreditaram, e eu não posso atirar pedras nas outras com pedras!, não acredito que o meu Deus dos Cristãos aprovasse isso, não!, por isto, respeito as Águas Espirituais de Todas as Fontes Brilhantes; Compadre Meu Quelemém, aquele compadre também de Riobaldo Guerreiro, amigo sincero de João Cordisburgo dos Guimaranes de Portugal, foi quem me ensinou, ele segue os preceitos de um crente Matias, mas não deixa de ler os ensinamentos de Kardec, e de vez em quando vai ao candomblé dos deuses baianos; ainda tem também o meu Anjo-Guru adepto inconteste dos ensinamentos budistas, ele segue a orientação dos Sakias divinos, uma família budista de Katimandu, que outrora reinou no Lindo Tibet das Altas Geladas Montanhas, hoje o Tibet pertence ao povo chinês e et cœtera e tal, cujo chefe se chama Sakia Trinzin, e tem uma irmã sacerdotisa, a venerável e amável Jetsun Kushola, monja budista também, atualmente morando no Canadá, a Venerável viaja pelo mundo de avião supersônico, levando para o Racional Ocidente as Crenças do Oriente, invertendo a caminhada feita no passado pelos missionários de Cristo no Oriente; mas, quomodo eu ia dizendo, não fui ao show, não, não vi o meu aluno João bater o compasso de sua banda agitada, ele é baterista de uma banda de rock dos annos 90, o rock foi a trilha sonora de uma geração inteira, a geração barulhenta dos annos sessenta, os grandes rockeiros de então hoje são velhos sessentões; alguns já morreram!; Pink Loid, a Banda dos Rolls Stone, os Beatles, os rockeiros cabeludos dos annos sessenta, cidadãos mitológicos do Século XX; assim, João Baterista!, meu Aluno Rockeiro dos dias atuais!, vai ficar para outra vez!, na verdade, meus ouvidos veirotos são sensíveis demais, não agüentam os estridentes sons das bandas de rock atuais, os sons violentos e altissonantes são uma chuva de pedras nos meus ouvidos senis, longe está a década de sessenta de minha mocidade agitada, quando eu vibrava com os rocks da época, ouvindo as músicas loucas da juventude de então, dançando freneticamente a dança dos Beatles, e eu era jovem, bonita e muito faceira, dançava, requebrava e pulava, acompanhando o som daquele ritmo infernal, e foi a época de minha rebeldia, Leitor!, os jovens dos anos sessenta mudaram a face do Mundo Vital, os anos rebeldes de uma década rebelde, os jovens se rebelando contra os preceitos antigos, abaixo o sutiã, diziam as lindas mocinhas, os moços não queriam cortar os cabelos, moços cabeludos enfrentando seus pais, moças transando com seus namorados, todos desrespeitando as ordens severas, todos fugindo com medo da guerra, guerreando às avessas per um mundo de paz, e as drogas e o vício acabando com os jovens, maconha, cocaína, heroína e LSD; hoje é o crack, matando a pobre juventude, atrizes de novela lutando contra o vício e a morte, perecendo per culpa das próprias ações insensatas, jovens famosos morrendo de Aids, contaminados por usarem agulhas infectadas, jogando em suas veias o vício e a morte; pobre juventude do Final do Milênio!, pobre juventude com medo do Amanhã!, se drogando e fugindo das responsabilidades impostas pelas leis sociais, fugindo, fugindo de um futuro incerto; e vão fugindo da vida sofrida, amedrontados e trôpegos, os filhos dos antigos jovens de sessenta, inseguros e infelizes, com pavor do Futuro, do Futuro Sem-Muro; óh, minha Gente Brasileña! óh, meu Povo Americano do Sul!, sinto o peito excruciado só por relatar tais agruras!, preferia, antes disso, sofrer em minh’alma trabalhos cansativos sem conta; e seus pais, coitadinhos!, os vibrantes jovens rebeldes do Ontem, agora, carecas, sem suas vastas cabeleiras e grossas pulseiras de metal argentado, e suas mães, no passado também jovens rebeldes, se preocupam e temem pelo futuro dos filhos, alguns, esquecidos dos annos de rebeldia, querem por força mudar o destino dos filhos, aconselham e brigam, quomodo qualquer pai do passado, colocando regras nas atitudes dos filhos, infernizando, quomodo qualquer pai do passado, a vida dos filhos, jurando de pés juntos que foram obedientes e souberam respeitar os pais no passado, mas todos infelizes filhos do pós-guerra; os annos dourados da década de cinqüenta foram o período de bonança, depois da tempestade, depois da guerra, um período de paz, mas os alicerces familiares já estavam abalados, depois da Guerra, o Mundo mudou, o Mundo sentiu sua fragilidade, cada Chefe de Nação querendo falar mais alto, todos gritando e mandando para impor respeito, cada qual a seu modo querendo o Poder, e as nações mais fortes dominando as mais fracas, submetendo os fracos com a força do money, e as pobres nações com medo de guerras, preocupadas com o futuro de seus filhos queridos, e as grandes potências oferecendo dinheiro, e as pobres nações aceitando o dinheiro, o tal dinheiro não será pago jamais, os juros cobrados são altos demais, e as pobres nações vão ficar na miséria, e o Brasil do final do novecentto jamais saldará a dívida externa, cobrando do trabalhador, com juros insólitos altíssimos, o dinheiro repassado para a conta do provedor, aquele mesmo provedor do dinheiro emprestado, as prestações devidas nunca terão fim, o saco da dívida é um saco sem fundo, neste Anno de 1999, o pobre brasileiro trabalha sem parar, e no fim das contas o salário é uma miséria total, mal dá pra comprar o leite dos filhos, o sal, e et cœtera e tal, e o governante estrangeiro brasileiro altaneiro exalando superioridade, somos preguiçosos e et cœtera e tal, o aposentado é preguiçoso legal, e o estrangeiro-brasileiro ainda diz que somos vagabundos e et cœtera e tal, o estrangeiro bem vestido tem os bolsos cheios de dinheiro, e viaja pelo mundo aproveitando as férias anuais, e tem amante em alguma casa suntuosa, real, talvez em Portugal, ou na Espanha, ou na América do Norte e et cœtera e tal, e não sabe como é difícil ser brasileiro, o brasileiro vive sem um tostão, aqui, o rico estrangeiro alienado não fala a língua do brasileiro, ele come filé mignon picadinho no salão-refeitório dourado, e o brasileiro vivendo sem um tostão furado, vivendo de brisa minuanóica e ao deusdará, comendo o pão que o diabo amassou, o pão que o diabo amassou com o rabo, mas sempre esperando o dia da caça, se hoje não tem, amanhã deusdará, amanhã deusdará o arroz e o feijão, se não tiver feijão, deusdará o pão, se não tiver o pão, deusdará a ilusão, ilusão de que o pobre terá o que comer no dia seguinte deste Final de Século XX; enquanto isto, a exploração continua, neste anno da graça de noventa e nove, os provedores estrangeiros querem seus dinheiros, mesmo às custas do pobre infeliz, ele trabalha, trabalha, trabalha, e no fim do mês só tem conta pra pagar, é o dinheiro da conta de luz, o dinheiro do gás, o dinheiro da água; se não pagar a água, vai morrer de sede; se não pagar o gás, vai morrer de fome, o fogão não cozinhará a pouca comida para um batalhão do sertão, muita gente para comer a pouca comida do pobre trabalhador, muita gente abonada, o pobre conseguiu comprar um tantinho de comida; no entanto, se não tiver dinheiro pra pagar a luz, vai ter de viver com a luz apagada, na cidade não se usa lamparina, as velas são caras e acabam depressa, o lume é matéria caríssima na Terra do Ão neste noventa e nove sem pão, ninguém na cidade usa carvão, os fogões de lenha não existem mais, usar querosene nem é bom pensar; mesmo assim, o pobre vai levando a sua vidinha ao deusdará, comendo o pão que o diabo amassou, conformado com a miséria e com o sofrimento sem-fim, que seja tudo per amor de Deus em minha vida, óh! Senhor!, seja o que Deus quiser!, se Deus quiser que o pobre padeça, será feita a vontade de Deus nesta Terra Globalizada Rotunda Azulinda; mas Deus não quer isto, não, Ele quer os seus filhos bem amparados, com casa e pão, Ele quer os seus filhos alegres e felizes; o Homem Ricaço se acha dono do mundo e inventa a fórmula secreta de dominar seus irmãos, os mais fortes nadando em ouro e riqueza, com muito dinheiro guardado nos Bancos da Suíça, e o pobre coitado, entresilhado, a chupar o dedo fininho, cada dia mais fino e fraco, nem osso o pobre pode roer, agora até osso se vende nos Grandes Mercados, quando o dinheiro dá, o pobre compra feliz um bello osso pra botar na sopa, uma sopa rala que deusmelivre, uma sopa insossa e sem vitaminas, feita com as sobras da feira, recompensa magra pra quem trabalhou e suou carregando os caixotes pesados de legumes, frutas e et cœtera e tal, e o pagamento é um saco de restos apodrecidos de alimentos fedorentos foetentos infectados,